quarta-feira, 15 de março de 2017

Flor-de-Lis


No domingo um casal de amigos veio aqui em casa. Na verdade, não são apenas um casal de amigos, eles são um casal de amigos bruxos. Não os associem à bruxaria do mal, com coisas do submundo. Eles entendem de coisas que estão por aí, que não vemos, mas sentimos. Conseguem interpretar o que está sussurrando. Compreendem as ressonâncias e as reverberações. São bruxos encantadores.
Mostrei a eles o trabalho que fiz junto com minha prima no sítio em Vinhedo. Minha prima havia perdido o marido e fiquei com ela durante uma semana para ajudar o seu fortalecimento. No meio do turbilhão do luto, da perda da pessoa amada, do fim de um sonho de uma aposentadoria tranquila no sítio, minha querida prima se sentiu só. Sem nada, sem planos, sem companheiro, sem suas bagunças. Só.
Fui arrumando com ela as coisas de fora para dentro. O entorno da casa estava largado. Fomos guardando coisas que haviam sobrado do churrasco que não terminou. Limpamos a churrasqueira, guardamos as grelhas. Retiramos as latas e garrafas. Limpamos o terraço. Recolhemos as ferramentas espalhadas pelo jardim e organizamos o depósito. No meio de tudo isso, jogado no tempo um carretel de madeira gigante estava esquecido no quintal. Minha prima diz que sempre quis fazer dele uma mesa com mosaico. Não tive menor dúvida, é isso que vamos fazer, catar e colar caquinhos de fora para dentro, para poder soltar o que está dentro para fora. Como um carretel.
Meu trabalho como arteterapeuta era auxiliar e incentivar a sua criação e observar o seu caminho, suas reações, expressões e falas e desenvolver um diálogo onde ela pudesse viver o seu luto, procurar soluções por meio de sua produção simbólica.
Por meio do mosaico, fomos confrontando suas dores, suas dificuldades e colocando no lugar suas ideias e emoções, organizando seus conteúdos, se descobrindo e aumentando sua autoestima e autoconhecimento.
Do mosaico que criamos surgiu uma Flor de Lis no olhar de meu amigo bruxo. Ele me explica que a Flor de Lis carrega uma potência de recriação de vida, de mensagem de uma nova Era, um processo de limpeza para um novo porvir. A Flor-de-Lis, para o sistema havaiano de cura Ho’oponopono é o símbolo de paz, onde algo irá mudar, é um veículo de luz, é a nova aliança entre o céu e a terra conectando diferentes dimensões.
A forma de usar a Flor-de-Lis é coloca-la sobre a situação conflituosa. São os nossos conflitos internos, nossos pensamentos que estão em constante guerra conosco. Se estamos bem, tudo fica bem. A paz começa conosco. Para meu amigo bruxo, ao colocarmos a Flor-de-Lis sobre o tampo da mesa para fazer o mosaico estávamos colocando de lado o sofrimento e as preocupações e difundindo uma cultura de paz.
Essa leitura externa do trabalho feito em Vinhedo, que acabou envolvendo minha prima e sua filha e a filha de sua filha, em um momento de grande paz interior, me fez ter a certeza do poder transformador do fazer artístico. Estávamos assim, por meio da arteterapia, reorganizando o caos, ressignificando afetos, transformando emoções, reordenando mundos, reutilizando materiais, mudando a percepção do mundo e abrindo caminhos para o enfrentamento de uma nova etapa na vida.




segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Quarto da Helena




Helena veio apressada ao mundo.
Chegou um mês mais cedo, no final de setembro de 2016, quando ainda estávamos projetando a parede de seu quarto.
Daniel e Renata, queriam uma pintura no quarto não convencional.
Adorei
Algo solar para quem chega ao mundo para nos aquecer me pareceu adequado.
Um pouco de rebeldia sempre faz bem, e por isso adicionei Banksy, com a sua linda menina enfrentando o mundo com um balão de coração.
Consegui fazer apenas agora, no final de janeiro de 2017.
Helena dos olhos negros, redondos e grandes, acompanhou no colo da mãe a pintura do quarto.
Daniel, Dado e eu executamos o projeto.
Um sábado inteiro dedicados a colorir o mundo de Helena.
Espero que ela goste.
Nós nos divertimos.

terça-feira, 12 de julho de 2016

De volta ao lar


De volta ao lar.
Devo dizer que a viagem foi ótima.
Os amigos David e Silvye foram maravilhosos.
Encontrar Geisa, minha "filha" mais velha, na Califórnia também entra na categoria das MARAVILHAS.
Ter a oportunidade de resgatar velhos amigos como Christian e Dulce também é uma das maravilhas da vida.
Mas, doa a quem doer, adorei voltar para o Brasil
"apesar de você amanhã há de ser outro dia.."
Voltar ao meu ateliê foi ótimo.
Ontem, Mariana Maia veio fazer o curso de encáustica Módulo I
Foi uma delícia compartilhar com ela o que sei sobre essa técnica.
Estou de volta, venham!



quarta-feira, 22 de junho de 2016

87 dias de viagem. 86º dia. Tô voltando




22 de junho de 2016
Foram dias incríveis e uma oportunidade maravilhosa. Visitei lugares da Costa Oeste, Oeste e Costa Leste.
Foi um privilégio estar e ter amigos tão queridos em cada um desses lugares.
Para mim, foi um resgate de amizades antigas que o tempo e a vida haviam afastado.
Encontrar Geisa Natalli em LA e ficar na sua casa foi uma delícia. O seu sorriso me encanta e aquece meu coração. Foi bom ver como ela vive por lá e como Geisa e Rodrigo são apaixonados um pelo outro. Ficamos pouco tempo juntas, mas foi muito bom.
Silvye e David me acolheram por mais de dois meses em sua casa. Não tenho como agradecer tanto carinho e cuidados. Me levaram para conhecer a vida no Oeste e suas belezas naturais. Pude acompanhar o desenvolvimento do projeto do casal, o B&B Beija-Flor. Documentei a construção da grande cozinha onde irão receber os hospedes e fazer comidas deliciosas. Convivi com Daniel e gostei de ver como ele se tornou uma pessoa interessante e com um coração enorme. Deixei Utah, mas Utah ficou nas minhas melhores lembranças por tudo que vivi, pelas pessoas que conheci e pela sua beleza exuberante.
Nos últimos 15 dias da viagem vim para Costa Leste me encontrar com Dulce e Christian. Amigos antigos que não via há mais de 17 anos que me receberam de braços abertos. Me levaram para conhecer outras paisagens passando pela Nova Inglaterra e abrindo as portas e segredos de New York. Da tranquilidade da primeira semana em Block Island caímos no turbilhão de New York. Uma semana de cultura e arte. Uma semana maravilhosa.
Obrigada amigos, foi tudo muito bom, muito intenso e muito rico.


Mas, agora...Camila e Dado